Ontem, combinei de correr com as meninas do grupo de CrossFit hoje cedo. Embora prefira correr a caminhar, confesso que ao abrir os olhos, num primeiro momento, a ideia de sair da cama não era nem de longe atraente. Meu corpo estava dolorido devido ao retorno aos treinos após um período de pausa. Conhecem a sensação, né? Cada músculo doía.
Mesmo assim, decidi honrar o compromisso que fiz comigo mesma de colocar meu corpo em movimento. Embora as meninas não tenham podido comparecer, fui sozinha. Iniciei a corrida, mas rapidamente percebi que manter aquele desconforto beirava o sacrifício. Optei então por caminhar, mesmo sabendo que historicamente não tenho paciência para isso. Surpreendentemente, não me senti impaciente desta vez. Enquanto caminhava, fui observando o cansaço e a dor em cada parte do meu corpo, notando um peso maior, mas ainda assim uma satisfação de estar ao ar livre, algo que verdadeiramente aprecio.
Poderia ter me forçado a continuar correndo? Talvez. Mas forçar-me não era o objetivo. Se tivesse escolhido isso, meu corpo teria suportado, mas não valeria a pena. Desrespeitar meu corpo definitivamente não era o que buscava. Ao invés disso, propus-me a ficar atenta e notar o desconforto que sentia enquanto caminhava.
Essa experiência me fez refletir sobre a importância de ter consciência dos nossos limites. Isso se aplica não apenas à atividade física, mas também aos relacionamentos e outras situações da vida em que, muitas vezes, nos colocamos em posições insustentáveis sem sequer questionar o que nos mantém ali. Conhecer e questionar nossos limites envolve perceber que podemos suportar muito mais do que pensamos (pensei que só conseguiria ficar deitada, mas caminhei dentro de um limite razoável) e escolher não ultrapassar esses limites simplesmente porque podemos.
A disciplina, percebi, está relacionada a cumprir compromissos conosco mesmos, mas isso não significa rigidez. É possível ser flexível e disciplinado ao mesmo tempo, perceber desconforto e satisfação simultaneamente. Nossas experiências não são limitadas; são amplas e variadas.
Portanto, ao nos colocarmos como observadores atentos de nós mesmos, aprendemos a escutar além do que já sabemos, ou achamos que sabemos sobre nós. Mas escutar aquilo que ainda não conhecemos. Isso abre espaço para escolhas mais conscientes e respeitosas com nosso próprio corpo e mente.

Me emocionei com seu relato, estou nesse processo de aprender o meu limite, a ouvir e sentir o meu corpo e principalmente a respeitá-lo. Eu já estava refletindo algumas coisas ao ler seu relato vi novas possibilidades aqui!
Olá Raquel, fico muito feliz ao saber que meu relato ressoou com você! Entender e respeitar nossos próprios limites é um processo profundo e contínuo, e é maravilhoso saber que você tem dado passos importantes neste sentido. Que bom que viu novas possibilidades por aqui. Sinta-se sempre à vontade para compartilhar suas experiências ou dúvidas. Obrigada por fazer parte desta comunidade!